Continuam a venda na Bibliotheca Pública Pelotense
(BPP) os livros lançados
nos dois últimos eventos do projeto América
& Pampa. São três
títulos - dois romances e uma reportagem histórica
- que tem em comum e como
fundo aspectos e momentos polêmicos da formação
histórica do Pampa rio-grandense: o extermínio
dos índios Charruas, a barbárie da guerra
civil de 1893 e a forma como teria sido "editada"
uma versão ufanista de episódios da
Revolução Farroupilha, inclusive do
acordo que encerrou o conflito, em 1845.Os livros
estão a venda na secretaria da BPP, das 9 às
18 hs, de segunda a sexta. Os recursos arrecadados
ajudam a financiar os eventos do projeto cultural,
realizados sempre com entrada franca.Informações
pelo fone 3222 3856.
Acervo/Mobília
nova Boa parte da memória histórica
de Pelotas e região está distribuída
por 32 prateleiras de dois setores da Bibliotheca
Pública Pelotense – o Arquivo Histórico
e a Hemeroteca (coleção de jornais
e periódicos em geral).
Graças a recursos (R$ 30 mil) de projeto
aprovado junto ao BNDES – Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social – estes
espaços entram 2007 com cara nova e melhores
condições técnicas de acomodação
e preservação do acervo.
O projeto da BPP é um dos quatro contemplados
no RS – entre as 249 propostas recebidas pelo
BNDES. A implantação começou
no último dia 8 de janeiro , a cargo de uma
equipe de 4 técnicos e estagiários,
sob a coordenação do responsável
técnico pelo acervo da BPP , Alex Perleberg.
O tempo de execução é de dois
meses e os recursos serão utilizados para substituição
das 32 prateleiras e aquisição de seis
desumidificadores – equipamento essencial para
conter a degradação do papel.
Em busca de apoio
Como os recursos do BNDES não contemplam pagamento
de estagiários e material de consumo , a BPP
está em busca de apoiadores culturais para
ampliar esta etapa do Plano de Conservação
do Acervo. A intenção da diretoria é
aproveitar a movimentação do acervo
- jornais e documentos históricos – para
elaboração de um catálogo , passo
indispensável para que os setores possam melhor
cumprir a tarefa de instrumentos de pesquisa. Os recursos
extras seriam utilizados também para a compra
de material como luvas, papeis neutros, pinceis, bisturis
e pinças para limpeza das publicações.
Interessados em apoiar o projeto podem fazer contato
pelo fone (53) 3222 3856 ou via e.mail: comunicacao@bibliotheca.org.br
Memória
Estatutos, regimentos, relatórios públicos
e privados, boletins estatísticos, memórias,
correspondências pessoais, leis , decretos e
atos. A lista resume o principal do conteúdo
do Arquivo Histórico da BPP – mais de
dez mil documentos fundamentais para compreensão
da evolução histórica da cidade,
região e mesmo do estado.
O corte temporal ( documentos produzidos até
1930) é o critério base. O mais antigo
é de 1793 – um registro de terras da
família de Rafael Pinto Bandeira. Outros destaques:
documentos sobre o acordo de Ponche Verde ( final
da Revolução Farroupilha) , sobre a
escravidão ( alforria , execuções)
e cartas pessoais de, entre outros , Bento Gonçalves
e Domingos José de Almeida.
Periódicos
Parte integrante do CEDOV – Centro de Documentação
e Obras Valiosas , a coleção de jornais
e revistas ( Hemeroteca) reúne cerca de 30
mil periódicos editados desde o período
Farroupilha ( 1835-1845). A coleção
de diários cobre um intervalo de 131 anos (
desde 1875) e, por isto , é a mais procurada
pelos pesquisadores de todas áreas.
Os jornais estão organizados por ordem de data
de publicação e podem ser localizados
por mês e ano. As fichas de consulta mostram
que cerca de 70 % dos pesquisadores usam como fontes
os quatro principais jornais diários que a
cidade teve ao longo destes 131 anos – Correio
Mercantil , Opinião Pública , Diário
Popular e Diário da Manhã – os
dois últimos ainda em circulação. OS TÍTULOS
A PAZ DOS FARRAPOS (JÁ Editores - ed.atualizada 2005 , 120p. R$25,00)
aborda, com linguagem jornalistica, aspectos e episódios
da Revolução Farroupilha (1835-1845).
Os cinco autores, todos jornalistas, descrevem, em
forma de reportagem, desde os antecedentes até
os personagens do conflito. Em forma de entrevistas,
comparecem com depoimentos os historiadores Moacir
Flores e Sérgio da Costa Franco e o escritor
Tabajara Ruas. O jornalista/escritor Elmar Bones é
o organizador da obra, que leva também a assinatura
de Euclides Torres, Kenny Braga, Adélia Porto
e Iara Rech.
A patrulha de sete joão (JÁ Editores - 2005 - 208 p. R$ 27,00) , romance
histórico que tem como pano de fundo os conflitos
armados e a violência como pratica política
quase continua no Pampa do século XIX - em
especial a guerra civil de 1893) . Destaque também
para o painel que faz da engajada e feroz imprensa
do RS na segunda metade do século e para o
trabalho de pesquisa sobre o regime de terror do governo
Rosas na Argentina de meados do século XIX.
Obra do jornalista Euclides Torres, escrita a partir
do diário de um soldado mercenário alemão
que se estabeleceu no centro do estado e acabou como
mais uma vitima do terror estabelecido de 1893 a 1895.
» Leia artigo sobre essa obra aqui
Os Charruas (Santa Tecla Editora - 2005 - 104 p. R$ 20,00). Romance
histórico. Obra coletiva dos alunos de Bagé
da Oficina de Criação Literária
Alcy Cheuiche. Em 104 páginas , os sete alunos/autores
percorrem os últimos anos da nação
charrua - da saída, em 1750, da Tolderia das
Palmas (área onde está a cidade de Bagé)
até a cena final do genocidio , no Uruguai,
em 1831. No ano seguinte, os quatro últimos
charruas seriam "exportados" para Paris.
Os papéis oficiais falavam em "observação
científica" , mas eles acabaram expostos
como atração de circo. A narrativa ,
como a história Charrua , encerra em 1836.
Os dois primeiros livros foram lançados na
BPP no último dia 15 de agosto, no evento que
recebeu o título de Revoluções
e barbárie no Sul da América. O lançamento
de Os Charruas aconteceu no dia 28 de julho.