No ano
em que se completam os 160 anos do acordo de paz que
pôs fim a Revolução Farroupilha,
JÁ Editores lança a terceira edição
do livro “A Paz dos Farrapos”, de Elmar
Bones. Trata-se de uma coletânea de reportagens
organizadas pelo jornalista que abordam aspectos polêmicos
da guerra. O livro mostra como a versão de
que houve um acordo de paz foi construída e
traz um capítulo inédito sobre o conhecido
“massacre de porongos”, quando foram mortos
todos os integrantes do regimento de Lanceiros Negros
que lutavam com os farroupilhas.
A seguir, um resumo do livro
Em 2005 se completam 170 anos da Revolução
Farroupilha, o movimento rebelde que por quase dez
anos separou o Rio Grande do Sul da federação
brasileira.Mais de 500 livros já foram escritos
sobre essa guerra, mas ainda são muitas as
dúvidas e os aspectos não esclarecidos.
Os principais deles são abordados neste livro
– a questão do separatismo, a traição
aos negros em Porongos, o acordo de paz que não
seria acordo mas uma anistia a vencidos, etc.
Resumo dos capítulos
1. Antecedentes: as crises do Império, as vacilações
de D. Pedro I, a renúncia, o períododa
Regência, os movimentos insurrecionais em vários
Estados contra o Poder Central.
2. A situação no Rio Grande do Sul:
a crise econômica, o descontentamento dos estancieiros,
a luta política na Assembléia Provincial,
a conspiração, a deflagração
da revolta.
3. 20 de setembro de 1835: O coronel Bento Gonçalves,
à frente de 4000 homens, toma Porto Alegre.
O ambiente na cidade, os primeiros incidentes, a fuga
do governador, a declaração dos revoltosos.
4. Uma síntese da guerra: os Farrapos rechaçados
em Porto
Alegre levam a guerrilha para o pampa. Bento é
preso numa armadilha. Netto proclama a República
Riograndense. O Império contra-ataca e passa
à ofensiva, os rebeldes tentam levar a guerra
a outros Estados. Chegam a Santa Catarina, mas logo
recuam, pressionados, agora pelo Duque de Caxias,
que os leva a depor as armas em 1845.
5. Paz ou Rendição? Esta é uma
das grandes questões, encoberta por uma “construção
histórica” que criou o mito da “paz
honrosa”. Pesquisas mais recentes indicam que
na verdade houve uma rendição incondicional
conduzida com muita habilidade por Caxias, pois os
Farrapos não tinham mais condições
de continuar lutando.
6. A morte de Bento Gonçalves: o chefe farrapo,
hoje talvez o mais herói dos gaúchos
morreu dois anos depois do fim da guerra, amargurado.
Sua morte foi sequer noticiada, pois o Império
impôs severa censura ao assunto não permitindo
que nem mesmo o nome dos sediciosos fosse mencionado
por muito tempo.
7. Os negros traídos: Essa é outra
questão que a historiografia ainda não
conseguiu esclarecer convincentemente. A certa altura
da guerra, os Farrapos, com seu exército já
diminuto, ofereceram liberdade aos escravos que se
alistassem em suas fileiras. Este foi o ponto onde
as negociações para a paz trancaram:
Caxias cedeu em tudo (indenização, incorporação
dos oficiais farrapos ao Exército, etc), mas
o Império não podia aceitar a libertação
dos escravos numa de suas províncias.
8. Os lanceiros negros: Citados em muitos livros,
mitificados como guerreiros destemidos, na verdade
pouco se sabe do regimento ou regimentos temíveis
formados por escravos e suas lanças.
9. Netto no Uruguai: O general Antônio de Souza
Netto, o proclamador da República Riograndense,
foi o único dos cinco generais farroupilhas
que não aceitou a paz e foi viver no Uruguai,
levando os negros que lutavam com ele.
10. Os estrangeiros na Guerra: Participação
de alemães e italianos foi expressiva. Mais
de três mil alemães se envolveram no
conflito e os italianos, como Garibaldi, Rossetti
e Zambeccari tiveram grande influência entre
os líderes revoltosos.